
Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered não é só um retorno. Antes de tudo, é uma ferida reaberta. Além disso, é um grito que atravessa décadas sem perder o eco.
Desenvolvido originalmente pela Crystal Dynamics, estúdio americano que nunca teve medo de misturar ambição técnica com narrativa adulta, o jogo sempre tratou o jogador como alguém capaz de lidar com temas pesados. Portanto, não há aqui conforto fácil. Há confronto.
Enquanto isso, a analogia musical não poderia ser outra. “Hurt”, do Nine Inch Nails, lançada em 1994 no álbum The Downward Spiral, é uma confissão crua sobre culpa, perda de identidade e autodestruição. Assim como Raziel, a música fala de alguém que olha para si mesmo e só encontra ruínas. Consequentemente, cada passo em Nosgoth ecoa essa dor lenta, quase clínica.
“I hurt myself today, to see if I still feel”
“Eu me machuco hoje, para ver se ainda sinto algo”
E é exatamente isso que Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered faz comigo: testa se ainda dói. Spoiler: dói pra caralho.
Entre Carne e Espectro, Um Mundo Que Não Esquece
Desenvolvido em engine proprietária da Crystal Dynamics, Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered é um jogo de ação e aventura em terceira pessoa, com foco em exploração, puzzles ambientais e narrativa gótica. Ambientado no mundo decadente de Nosgoth, o título mistura combate estratégico, troca entre reinos Material e Espectral, progressão de habilidades e forte ênfase em história. O jogo chega com legendas em português e ajustes modernos de controle.
Legacy Of Kain: Soul Reaver Remastered 1&2: Nosgoth é um espelho quebrado
Desde o início, Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered apresenta um mundo em colapso. No entanto, esse colapso não é só físico. É moral. É espiritual. Nosgoth já foi grandioso, porém agora apodrece lentamente. Catedrais caem, impérios viram ruínas e, enquanto isso, a própria paisagem parece cansada de existir.
Raziel, traído por evoluir demais, é jogado no abismo. Entretanto, a queda não mata. Pelo contrário, transforma. Assim como na música do Nine Inch Nails, há aqui uma desconstrução do “eu”. Raziel não é mais vampiro. Também não é humano. Portanto, ele vaga como algo quebrado, sustentado apenas por raiva e propósito.
“What have I become, my sweetest friend?”
“No que eu me tornei, meu amigo mais querido?”

Vingança como combustível emocional
A narrativa gira em torno de vingança, contudo ela nunca é simples. Raziel quer destruir Kain, mas, ao mesmo tempo, carrega nele a marca do criador. Assim, cada confronto é também interno. Cada diálogo pesa. Cada silêncio incomoda.
Enquanto isso, os irmãos transformados em monstros funcionam como reflexos distorcidos do próprio protagonista. Eles são o futuro que Raziel poderia ter tido. Portanto, enfrentá-los é como olhar versões alternativas do próprio fracasso.
A escrita, assinada por Amy Hennig, entrega diálogos teatrais, carregados de simbolismo. Além disso, o texto nunca subestima o jogador. Pelo contrário, confia que você vai sentir antes de entender.

Mecânica que sangra junto com a narrativa
Em termos de gameplay, Soul Reaver Remastered mistura exploração aberta, puzzles ambientais e combate situacional. Entretanto, o combate nunca é o centro. Ele é meio. É ferramenta.
Os inimigos não morrem apenas apanhando. Portanto, você precisa pensar. Jogar no espeto. Afogar. Queimar no sol. Consequentemente, o cenário vira arma. Isso reforça a ideia de sobrevivência, não de poder.
A troca entre Reino Material e Espectral continua sendo o coração da experiência. Enquanto isso, puzzles exigem leitura de espaço, paciência e observação. Não é jogo apressado. É jogo de absorção.
Assim como Hurt, não há catarse rápida. Há desgaste progressivo.
Legacy Of Kain: Soul Reaver Remastered 1&2: A dor como identidade cultural
Culturalmente, Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered é um marco. Na virada dos anos 90, poucos jogos ousavam tratar temas como livre-arbítrio, predestinação e ciclos de violência. Portanto, ele abriu caminho para narrativas mais maduras.
Além disso, influenciou diretamente jogos focados em worldbuilding e narrativa ambiental. Mesmo hoje, muitos títulos ainda tentam replicar essa densidade emocional — poucos conseguem.
Assim como o industrial rock do Nine Inch Nails, Soul Reaver nunca foi confortável. E nunca quis ser.
Arte visual: decadência que respira
Visualmente, o remaster respeita o material original. Entretanto, melhora iluminação, modelos e sombras. O clima gótico permanece intacto. Portanto, Nosgoth continua feio, opressor e belo na sua podridão.

A possibilidade de alternar entre gráficos antigos e novos reforça o caráter histórico da obra. Além disso, evidencia como o design original ainda funciona.

Estética sônica: vozes que assombram
A trilha sonora é minimalista, porém eficaz. Sons ambientes, ecos e silêncios fazem tanto quanto a música. Enquanto isso, a dublagem é absurda de boa. Vozes graves, pausadas, cheias de peso.
“Everyone I know goes away in the end”
“Todos que eu conheço vão embora no final”
Essa frase poderia ser dita por Raziel sem mudar uma sílaba.
Legacy Of Kain: Soul Reaver Remastered 1&2: Desempenho e ajustes modernos
No PS5, o jogo roda de forma estável. Entretanto, alguns elementos antigos permanecem, como animações rígidas. Ainda assim, o novo esquema de câmera e controles facilita muito a experiência.
Não é perfeito. Porém, respeita o passado.
Soul Reaver Remastered 1&2 — a ferida permanece aberta
Soul Reaver Remastered não tenta agradar todo mundo. Pelo contrário, ele existe para quem aceita dor como parte da jornada. Assim como Hurt, ele não oferece redenção fácil.
“If I could start again, a million miles away”
“Se eu pudesse recomeçar, a um milhão de milhas daqui”
Raziel não pode. E talvez nós também não.
Afinações x Desafinações
🎵 Afinações
- 🎵 Narrativa adulta e densa
- 🎵 Worldbuilding memorável
- 🎵 Trilha e dublagem icônicas
- 🎵 Mecânica de troca de reinos genial
- 🎵 Respeito ao legado original
🔻 Desafinações
- 🔻 Combate datado
- 🔻 Alguns puzzles repetitivos
- 🔻 Animações rígidas
- 🔻 Ritmo lento para jogadores modernos
Nota Final
★★★★☆ — 4,5 / 5
Como um álbum conceitual que envelheceu com cicatrizes, Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered não tenta esconder a dor. Ele a transforma em identidade. Vale cada segundo — se você aguentar sentir.
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Informações da análise
Idiomas: Inglês (voz), legendas em português
Plataforma analisada: PS5
Versão: Legacy Of Kain: Soul Reaver 1&2 Remastered
Chave: Cedida gentilmente pela desenvolvedora
Desenvolvedora: Crystal Dynamics / Aspyr
Gênero: Ação e Aventura
Jogadores: 1
Loja Oficial: PS Store






